Plano ambicioso de Trump para o petróleo venezuelano enfrenta obstáculos monumentais, exigindo bilhões e anos para resultados
Donald Trump expressou um forte interesse em explorar as vastas reservas de petróleo da Venezuela, propondo que empresas norte-americanas invistam pesadamente no país. A ideia central é reativar a infraestrutura petrolífera, considerada por ele como gravemente deteriorada, com o objetivo de gerar receita para a Venezuela.
O plano, no entanto, é recebido com ceticismo por especialistas do setor. A complexidade e o custo para reerguer a produção de petróleo venezuelana são estimados em bilhões de dólares, com projeções de que um aumento significativo na produção possa levar até uma década para se concretizar.
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do planeta, com cerca de 303 bilhões de barris. Contudo, sua produção atual é mínima em comparação com o potencial, refletindo anos de má gestão e sanções. Conforme informações da Agência Internacional de Energia (AIE), em novembro, a Venezuela produziu aproximadamente 860 mil barris por dia, menos de um terço do volume de dez anos atrás.
Infraestrutura Deteriorada e Petróleo Pesado: Os Desafios Técnicos
Um dos principais entraves para a recuperação da produção petrolífera venezuelana reside na sua infraestrutura, descrita como severamente deteriorada. Callum Macpherson, chefe de commodities do banco Investec, destaca que a infraestrutura é o verdadeiro desafio para o país. A Venezuela produz um tipo de petróleo mais pesado e ácido, que é mais difícil de refinar, diferentemente do petróleo leve e doce predominante nos EUA.
A gestão da estatal PDVSA, sob os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, resultou na saída de muitos funcionários experientes, impactando diretamente a capacidade operacional. Mesmo com a presença de empresas como a Chevron, suas operações foram significativamente reduzidas devido às sanções americanas, que visam restringir o acesso de Maduro a recursos financeiros vitais.
Obstáculos Legais e Políticos: A Necessidade de um Governo Estável
Homayoun Falakshahi, analista sênior de commodities da plataforma de dados Kpler, aponta que os obstáculos para empresas petrolíferas interessadas na Venezuela são primariamente legais e políticos. Para explorar as reservas, seria necessário um acordo com o governo venezuelano, o que se torna inviável até que um sucessor para Maduro seja definido.
Empresas interessadas teriam que investir bilhões de dólares, apostando na estabilidade de um futuro governo. Falakshahi ressalta que, mesmo com uma situação política estável, o processo de negociação e investimento pode levar meses, e a ampliação da infraestrutura demandaria ainda mais tempo.
Investimentos Bilionários e Prazo Longo: O Impacto Limitado na Oferta Global
Analistas preveem que a restauração dos níveis de produção anteriores na Venezuela exigiria dezenas de bilhões de dólares e possivelmente uma década inteira. Neil Shearing, economista-chefe do grupo Capital Economics, sugere que os planos de Trump teriam um impacto limitado na oferta global de petróleo e, consequentemente, nos preços.
Shearing explica que os obstáculos são numerosos e o prazo para resultados é tão longo que os preços do petróleo em 2026 provavelmente sofreriam pouca alteração. Ele enfatiza que as empresas não investirão sem um governo estável, e os projetos demorarão “muitos e muitos anos” para trazer retorno. O subinvestimento crônico, a má gestão e o alto custo de extração são problemas históricos.
A Chevron e o Potencial Ignorado
A Chevron é atualmente a única grande produtora de petróleo norte-americana com operações na Venezuela, tendo recebido uma licença especial em 2022. A empresa, responsável por cerca de um quinto da extração venezuelana, afirma focar na segurança de seus funcionários e no cumprimento das leis.
Embora outras grandes petrolíferas permaneçam em silêncio, executivos do setor podem estar considerando a oportunidade. Falakshahi observa que o apetite por investimentos em um país como a Venezuela depende da situação política e dos recursos naturais. Apesar da incerteza política, ele considera que o prêmio potencial pode ser “grande demais para ser ignorado”.
