Mercado financeiro em compasso de espera com ação militar na Venezuela e divulgação de dados econômicos cruciais
A captura de Nicolás Maduro por forças militares dos EUA no último sábado acende um sinal de alerta nos mercados financeiros globais, com projeções de impactar diretamente a cotação do dólar frente ao real e o desempenho da bolsa brasileira.
Investidores estrangeiros demonstram apreensão com o aumento do risco geopolítico na América Latina, o que pode levar à retirada de capital de países emergentes da região. Essa aversão ao risco, conhecida como ‘contágio geográfico’, tende a pressionar negativamente o Ibovespa.
Adicionalmente, a divulgação de dados econômicos importantes nos Estados Unidos e no Brasil adicionam camadas de complexidade ao cenário. O PMI Industrial dos EUA e a balança comercial brasileira trazem informações cruciais sobre a saúde das economias, influenciando as decisões de investimento e as expectativas futuras. Conforme informações divulgadas, o mercado reage a esses eventos.
Petróleo em Montanha-Russa: Impacto da Venezuela e Decisões da Opep+
O preço do petróleo deve apresentar **volatilidade significativa** nos próximos dias. Embora a tensão militar inicial possa causar um aumento pontual, a perspectiva de uma **reabertura da produção venezuelana** sob tutela dos EUA aponta para uma **queda estrutural nos preços** ao longo de 2026, aumentando a oferta global.
Por outro lado, as decisões da Opep+ de manter os cortes de produção até o primeiro trimestre de 2026 oferecem um **piso para as cotações no curto prazo**, criando um ambiente de incerteza para os produtores e consumidores de petróleo.
Ativos considerados **’portos seguros’**, como o ouro, tendem a se valorizar em cenários de instabilidade, atraindo investidores em busca de proteção contra a volatilidade dos mercados de risco.
Balança Comercial Brasileira: Superávit Esperado, mas com Desaceleração
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulga hoje, às 15h, os dados da **balança comercial de dezembro de 2025**. A expectativa é de um **superávit de US$ 7 bilhões** para o mês, consolidando o saldo anual em cerca de **US$ 65 bilhões**.
Este resultado representa uma **queda de 13%** em relação ao recorde de US$ 74 bilhões registrado em 2024. As projeções indicam exportações próximas a US$ 29 bilhões e importações de US$ 22 bilhões em dezembro, com dados parciais já apontando para um superávit de US$ 5,2 bilhões até a terceira semana do mês.
A desaceleração no saldo anual é atribuída principalmente à **queda nos preços internacionais das commodities** e ao **aquecimento da economia doméstica**, que impulsionou as importações ao longo de 2025, impactando o desempenho da balança comercial brasileira.
PMI Industrial dos EUA em Contração: Sinal de Estagflação e Desafios para o Fed
O **PMI Industrial ISM de dezembro**, divulgado às 12h, deve registrar **48,3 pontos**, mantendo-se próximo aos 48,2 de novembro. Este resultado indica que a **manufatura americana permanece em contração** pelo terceiro mês consecutivo, pois leituras abaixo de 50 pontos sinalizam retração na atividade.
Essa combinação de produção estagnada com custos em alta sugere um cenário de **estagflação no setor industrial dos EUA**. A persistência da inflação nos custos complica a estratégia de juros do Federal Reserve, dificultando cortes mais agressivos, mesmo diante de uma atividade econômica mais fraca.
Para o Fed, a situação exige **cautela nas decisões de política monetária**, buscando equilibrar o controle inflacionário com o suporte à atividade econômica, um desafio complexo em meio a incertezas globais e domésticas.
