Rússia destaca submarino em missão de escolta de petroleiro visado pelos EUA na costa venezuelana.
Em uma escalada de tensões geopolíticas no Mar do Caribe, a Rússia enviou um submarino e outras embarcações navais para escoltar o petroleiro Bella 1, que está sendo perseguido pelas forças dos Estados Unidos em direção à Venezuela. A informação, divulgada pelo Wall Street Journal e citada por fontes americanas, indica uma nova fase no conflito pela navegação de embarcações sob sanções internacionais.
O navio Bella 1, identificado por entidades marítimas, está sob vigilância americana há aproximadamente duas semanas. Segundo a Reuters, a embarcação é alvo de sanções e já sofreu uma tentativa de apreensão no último domingo, configurando o terceiro navio que os Estados Unidos buscam interceptar na região. A Rússia já havia expressado publicamente sua oposição à perseguição, pedindo aos EUA que cessassem as ações na última quarta-feira (31).
O petroleiro Bella 1 partiu do Irã com destino à Venezuela, onde deveria carregar petróleo, mas foi interceptado pelas forças norte-americanas no Mar do Caribe. Os EUA alegam que o navio operava sem uma bandeira nacional válida, o que, segundo o New York Times, o colocaria fora da legislação de qualquer país e permitiria uma abordagem com base no direito internacional. Em resposta, o navio tentou obter proteção russa, pintando uma bandeira no casco e comunicando à Guarda Costeira dos EUA que navegava sob autoridade russa.
Mudança de Identidade e Sanções Americanas
O Bella 1, que recentemente passou a constar no registro oficial de navios da Rússia com o novo nome Marinera e porto de origem em Sochi, é agora o centro de um impasse internacional. Essa movimentação ocorre em paralelo a novas sanções impostas pelos EUA contra quatro empresas do setor de petróleo venezuelano e seus petroleiros associados. A medida faz parte de uma estratégia da administração Trump para aumentar a pressão econômica sobre o governo de Nicolás Maduro.
A Casa Branca determinou que as Forças Armadas dos EUA concentrem esforços na aplicação de um bloqueio ao petróleo venezuelano pelos próximos dois meses, visando a **pressão econômica** como ferramenta para forçar concessões de Caracas. Fontes americanas indicam que o presidente Trump tem pressionado Maduro a deixar o país, avaliando que a Venezuela poderia enfrentar um colapso econômico caso não ceda às exigências.
Intensificação da Presença Militar dos EUA no Caribe
Em dezembro, a Guarda Costeira dos EUA já havia interceptado dois petroleiros carregados com petróleo venezuelano no mar do Caribe. As autoridades americanas aguardam reforços para tentar a apreensão do Bella 1. Essa intensificação da pressão ocorre em meio a uma significativa presença militar dos Estados Unidos na região caribenha, com mais de 15 mil soldados, um porta-aviões, onze navios de guerra e caças F-35, que, segundo os EUA, reforçam as sanções econômicas.
O posicionamento da Rússia em defender o petroleiro Bella 1 adiciona uma camada de complexidade à já delicada situação diplomática e econômica envolvendo Venezuela, Irã e Estados Unidos. A ação russa pode ser interpretada como um desafio direto às políticas de sanção americanas e um reforço de seus laços com Caracas e Teerã, em um cenário de crescente rivalidade global.
