Sergio Moro vive momento de indefinição na disputa pelo governo do Paraná em 2026, com articulações partidárias e pesquisas de opinião moldando seu futuro político.
Os planos do senador Sergio Moro, filiado ao União Brasil, de concorrer ao governo do Paraná nas eleições de 2026 sofreram um revés significativo no final de 2025. Uma manobra articulada pelo partido Progressistas (PP) paranaense, liderado pelo experiente deputado federal Ricardo Barros, vetou a candidatura de Moro dentro da federação que está em formação entre as duas siglas. Sem o consenso de ambas as partes, a candidatura se torna inviável.
A decisão do PP foi reforçada pelo presidente nacional do partido, o senador Ciro Nogueira, que declarou apoio ao diretório paranaense, indicando que a federação União Progressista, ainda pendente de homologação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não teria Moro como candidato. Ricardo Barros justificou a decisão alegando que o ex-juiz federal “não conseguiu adesão nas fileiras do Progressistas” e que o diálogo não prosperou.
A postura do PP sugere um alinhamento com o grupo do atual governador Ratinho Junior (PSD), que pretende indicar um sucessor. O partido, que já integra a base aliada do governo estadual, parece inclinado a apoiar nomes como Guto Silva, Alexandre Curi ou Rafael Greca, todos do PSD. Essa movimentação, segundo informações divulgadas em reportagem, coloca em xeque as ambições de Moro no estado.
Caminhos e Impasses para Sergio Moro
Diante do impasse, Sergio Moro se depara com três cenários. O primeiro envolve a tentativa de reverter o posicionamento do PP no Paraná, o que demandaria uma reaproximação com as lideranças do partido. O próprio senador classifica a situação como “arestas partidárias” normais na política, passíveis de resolução através de diálogo.
Uma segunda alternativa, sugerida por Ricardo Barros, seria a troca de partido. No entanto, essa hipótese é descartada por Moro, que, alinhado ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, mantém o discurso de que sua candidatura é “irreversível”. Encontrar um novo abrigo em uma sigla de direita no Paraná que não esteja comprometida com os planos de Ratinho Junior para a sucessão governamental se apresenta como um desafio considerável.
A filiação a um partido menor, os chamados “nanicos”, representaria uma desvantagem significativa em termos de tempo de televisão e recursos para a campanha. A jornalista Cristina Graeml, atualmente no União Brasil, enfrentou dificuldades em sua campanha para a prefeitura de Curitiba em 2024 pelo PMB, evidenciando os desafios de concorrer com legendas menores contra a força política estabelecida no estado.
A Terceira Via: Desistência ou Continuidade no Senado
A terceira hipótese para Moro seria a desistência da candidatura ao governo e a permanência no Senado Federal. Contudo, essa opção tem sido veementemente descartada pelo senador. Em entrevista ao programa “Café com a Gazeta”, Moro declarou com firmeza: “Vamos colocar as cartas na mesma. Não venham com essa história de que não serei candidato. Serei, sim, candidato. Estarei nas urnas e quem vai decidir é o povo do Paraná”.
A persistência de Sergio Moro na disputa pela candidatura ao governo do Paraná é impulsionada por resultados de pesquisas de opinião. Os levantamentos indicam que ele figura como favorito na preferência do eleitorado, com uma margem considerável sobre outros potenciais adversários, tanto do grupo de Ratinho Junior quanto da oposição de esquerda, representada por Requião Filho (PDT), que confirmou sua pré-candidatura ao lado do PT.
Pesquisas Indicam Vantagem para Moro
Uma pesquisa realizada pela Neokemp, divulgada em 26 de dezembro, aponta Sergio Moro à frente de seus concorrentes em todos os três cenários testados. Em uma das simulações, Moro chega a abrir mais de 20 pontos percentuais de vantagem sobre Requião Filho, que aparece em segundo lugar nas pesquisas. Entre os nomes do grupo do governador paranaense, Alexandre Curi se mostra como o mais competitivo, alcançando 14% das intenções de voto, enquanto Guto Silva obtém 7,2% e Rafael Greca, 11,9%.
A pesquisa da Neokemp ouviu 1.200 entrevistados em 97 municípios do Paraná entre os dias 22 e 23 de dezembro de 2025, com um nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Outro nome que surge nas pesquisas é o do vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (Novo), que se posiciona em terceiro ou quarto lugar, dependendo do cenário, pontuando mais que Guto Silva.
