Salário Mínimo Nacional: Novo Valor de R$ 1.621 Entra em Vigor Nesta Quinta-feira
A partir desta quinta-feira, 1º de fevereiro, o salário mínimo nacional passa a valer R$ 1.621. Este novo valor representa um reajuste de 6,79% em relação ao piso anterior, que era de R$ 1.518. O aumento reflete a inflação acumulada nos últimos 12 meses até novembro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
A fórmula de cálculo deste ano combinou a correção pela inflação com um ganho real limitado pelas regras do arcabouço fiscal. A inflação, um dos componentes essenciais para a definição do novo salário mínimo, ficou em um patamar inferior ao esperado inicialmente pelo governo, o que influenciou o resultado final.
Este ajuste no salário mínimo impacta diretamente milhões de brasileiros. Todos que recebem o piso nacional, ou múltiplos dele, além de benefícios como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), já sentirão o valor reajustado nos pagamentos realizados no início de fevereiro. Acompanhe os detalhes sobre a regra de cálculo e os efeitos na economia.
O Que Define o Salário Mínimo e Sua Importância Constitucional
O salário mínimo é a menor remuneração que um trabalhador formal pode legalmente receber no país. A Constituição Federal estabelece que este valor deve ser capaz de suprir as necessidades básicas dos trabalhadores e suas famílias, incluindo moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Além disso, garante que o salário mínimo seja reajustado periodicamente para preservar seu poder de compra.
Para se ter uma ideia da diferença entre o valor atual e as necessidades básicas, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calculou que, em novembro, o salário mínimo ideal para uma família de quatro pessoas deveria ser R$ 7.067,18, mais de quatro vezes o piso nacional vigente na época. A Constituição assegura que o salário mínimo seja corrigido ao menos pela inflação, garantindo que o poder de compra se mantenha.
A Nova Regra de Reajuste do Salário Mínimo
A política de valorização do salário mínimo, que prevê aumentos acima da inflação, foi retomada pelo governo Lula. Em 2023, uma medida provisória confirmou este mecanismo na legislação. A nova regra considera dois fatores principais: a inflação medida pelo INPC até novembro e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores.
No entanto, uma lei aprovada em dezembro do ano passado estabeleceu um teto para o aumento real do salário mínimo, limitando-o a 2,5%, em conformidade com as regras do arcabouço fiscal. Ao aplicar essa nova diretriz, o cálculo para o salário mínimo de 2024 levou em conta a inflação de 4,18% (INPC acumulado até novembro) e um ganho real de 2,5%, resultando no valor de R$ 1.621.
Impactos do Reajuste na Economia e nos Benefícios Sociais
O aumento do salário mínimo tem um efeito cascata na economia brasileira. Ele serve como referência para cerca de 59,9 milhões de pessoas, segundo o Dieese. Isso inclui não apenas os trabalhadores formais que recebem o piso, mas também aposentadorias e benefícios como o BPC, que não podem ter valor inferior ao mínimo.
O reajuste também eleva o chamado **salário médio** dos brasileiros e, consequentemente, o **poder de compra** do trabalhador. Por outro lado, o governo federal tem um aumento expressivo em suas despesas. Cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera, em 2026, uma despesa adicional de aproximadamente R$ 420 milhões. Um aumento de R$ 103 no salário mínimo, como o deste ano, representa um crescimento de cerca de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias do governo.
Esse aumento nas despesas obrigatórias pode reduzir a margem de manobra do governo para investir em outras áreas, impactando os chamados gastos discricionários, que financiam políticas públicas diversas. A vinculação de benefícios ao salário mínimo é um ponto de debate entre economistas, com alguns defendendo a desvinculação para conter o crescimento da dívida pública.
