Trump promete reerguer a indústria petrolífera venezuelana com investimento americano, mas o caminho é incerto.
A Venezuela, embora possua vastas reservas de petróleo, responde por menos de 1% da produção global. O setor, que já foi um dos pilares da economia do país, sofreu um declínio acentuado nas últimas décadas. Donald Trump, em declarações recentes, expressou a intenção de reativar essa indústria, prometendo o retorno de grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos.
O ex-presidente americano criticou o que chamou de “sucateamento” do setor petrolífero venezuelano, atribuindo a culpa a gestões anteriores e ao que descreveu como um “assalto de propriedade” que levou à nacionalização de ativos americanos. A promessa de Trump envolve incentivar empresas a investir bilhões de dólares na recuperação da infraestrutura deteriorada.
No entanto, a viabilidade desse plano esbarra em obstáculos significativos. Especialistas apontam que o sucesso da iniciativa depende crucialmente da **estabilidade política e da segurança jurídica** na Venezuela. A retomada de investimentos privados requer um ambiente regulatório claro e garantias para as empresas, algo que, segundo analistas, é fundamental para atrair capital estrangeiro. Conforme informação divulgada por fontes especializadas, a estratégia anunciada por Trump depende de ações que garantam a segurança jurídica e regulatória para as petroleiras.
O Legado da Nacionalização e o Desmantelamento da Indústria
A insatisfação de Trump remonta à decisão do governo de Hugo Chávez, em 2007, de nacionalizar a indústria petrolífera, confiscando ativos de empresas norte-americanas. Essa medida, que resultou em sanções internacionais, impediu a exportação do petróleo venezuelano e contribuiu para o declínio da produção. Trump classificou o episódio como o “maior assalto de propriedade na história do nosso país”.
A Única Gigante Americana Presente e a Cautela de Outras
Atualmente, a **Chevron** é a única petroleira dos Estados Unidos com operação legal na Venezuela, atuando sob um acordo formal com a estatal PDVSA desde 1920. Outras multinacionais, como a italiana Eni, a francesa Maurel & Prom e a espanhola Repsol, também mantêm atividades no país, apesar da nacionalização, colaborando com o governo venezuelano na extração.
A ConocoPhillips, outra empresa americana com histórico no país, declarou que está monitorando o cenário, mas considera “prematuro especular sobre atividades ou investimentos empresariais futuros”, segundo comunicado oficial. Essa cautela reflete a incerteza em torno do futuro do setor petrolífero venezuelano.
Desafios para a Retomada e a Necessidade de Regras Claras
A volta expressiva de investimentos para a indústria petrolífera venezuelana, hoje sob controle das Forças Armadas, depende da definição de **regras claras e de longo prazo**. Especialistas como Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), enfatizam a necessidade de criar um modelo que atraia investimento privado e garanta a **exportação do petróleo produzido**.
“Será necessário criar um modelo para o setor de petróleo da Venezuela atrair o investimento privado nas áreas de petróleo e garantir que o óleo produzido poderá ser exportado”, avalia Pires. Campos abandonados ou mal explorados necessitarão de expertise de empresas como Chevron, ExxonMobil ou Petrobras para uma produção mais ágil.
Potencial de Produção e o Retorno da Venezuela ao Protagonismo Global
Com os investimentos corretos e a infraestrutura recuperada, a Venezuela tem potencial para um aumento significativo na produção de petróleo. Estima-se que, em dois a três anos, a produção possa saltar de um para três milhões de barris por dia, recolocando o país como um protagonista no mercado internacional. Para que isso ocorra, um **regime mais democrático, com regras de mercado e garantias mínimas**, similar ao modelo brasileiro, seria um forte estímulo para as empresas investirem.
