França suspende importação de frutas da América do Sul com agrotóxicos proibidos na Europa
A França anunciou uma medida drástica que promete impactar as exportações de frutas da América do Sul, incluindo o Brasil. O país europeu decidiu suspender a entrada de frutas que contenham resíduos de cinco agrotóxicos que são proibidos em seu território e em toda a União Europeia. A decisão visa garantir a segurança alimentar dos consumidores franceses e proteger os agricultores locais da concorrência considerada desleal.
O anúncio foi feito por meio das redes sociais pela ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, e pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu. Genevard declarou que a França não pode aceitar que substâncias banidas em seu território reapareçam indiretamente através de importações, classificando a medida como uma questão de bom senso. Lecornu complementou que uma ordem ministerial detalhando a proibição será emitida em breve e que fiscalizações reforçadas serão implementadas para garantir o cumprimento das normas sanitárias.
Esta decisão ocorre em um momento delicado, com o adiamento do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, do qual a França tem se mostrado contrária nas condições atuais, devido à pressão de seus agricultores. A medida francesa pode ser interpretada como um sinal de endurecimento nas negociações e uma forma de demonstrar prioridade à produção nacional. Conforme divulgado pelo g1, o Ministério da Agricultura do Brasil e a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) foram contatados para comentar a utilização das substâncias proibidas na produção de frutas a serem exportadas, mas não houve resposta até a última atualização da reportagem.
Agrotóxicos sob escrutínio e frutas potencialmente afetadas
Os cinco agrotóxicos que motivaram a proibição são o mancozeb, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. Embora essas substâncias sejam liberadas para uso no Brasil, sua presença em frutas destinadas ao mercado francês pode levar à suspensão de suas importações. O primeiro-ministro francês detalhou que frutas como goiaba, manga e abacate podem ser as mais atingidas, pois são produtos com maior volume de exportação do Brasil para a França.
Baixa representatividade da França nas exportações de frutas brasileiras
Apesar do impacto potencial, dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, indicam que a França tem uma representatividade baixa nas exportações de frutas do Brasil para a União Europeia. De janeiro a novembro de 2025, a UE comprou 58,7% do volume de frutas exportado pelo Brasil, enquanto a França foi responsável por apenas 0,6% desse total. Os maiores destinos das frutas brasileiras na UE são os Países Baixos e a Espanha.
Contexto político: acordo Mercosul e protestos de agricultores
A decisão francesa de proibir a importação de frutas com agrotóxicos proibidos na Europa ocorre em meio a tensões políticas e econômicas. O acordo entre União Europeia e Mercosul, previsto para ser fechado em dezembro de 2024, foi adiado para janeiro de 2025, em grande parte devido à oposição da França, que teme a concorrência de produtos agrícolas sul-americanos. Agricultores franceses têm realizado protestos, inclusive despejando esterco em frente à residência do presidente Emmanuel Macron, para manifestar sua insatisfação com o acordo e outras questões relacionadas à agricultura.
França busca proteger cadeias de suprimentos e consumidores
O primeiro-ministro francês classificou a medida como um primeiro passo para proteger as cadeias de suprimentos e os consumidores, além de combater a concorrência desleal. Essa postura reflete uma preocupação crescente na Europa com as práticas agrícolas de outros continentes e um desejo de garantir que os produtos consumidos atendam aos mesmos padrões sanitários e ambientais exigidos internamente. A suspensão visa, portanto, assegurar a justiça e a equidade para os agricultores franceses e europeus.
