EUA abrem negociações para desviar petróleo venezuelano destinado à China, em movimento estratégico surpreendente
Em uma reviravolta diplomática e econômica, os Estados Unidos estariam negociando a possibilidade de desviar o petróleo venezuelano que tinha como destino a China. A informação, divulgada por uma agência, sugere uma mudança significativa na abordagem americana em relação ao embargo imposto ao país sul-americano.
O embargo, intensificado em dezembro como parte da pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, já afeta a capacidade da estatal PDVSA de exportar sua produção. A falta de compradores e o acúmulo de petróleo em estoques forçam a Venezuela a considerar cortes ainda maiores em sua extração, segundo fontes próximas à questão.
A possibilidade de redirecionar o petróleo para os Estados Unidos, cujas refinarias na Costa do Golfo são capazes de processar o tipo pesado de petróleo venezuelano, surge em um momento delicado, especialmente após a recente captura de Maduro. A Casa Branca, o governo venezuelano e a PDVSA ainda não comentaram oficialmente as negociações.
Pressão americana e a situação da PDVSA
O embargo americano tem sido uma ferramenta central na estratégia de Washington para pressionar o governo de Nicolás Maduro. Recentemente, o presidente venezuelano foi capturado e preso pelos EUA. A Venezuela, por sua vez, denunciou a ação como um sequestro e acusou os Estados Unidos de tentarem “roubar as reservas de petróleo do país”.
Para a PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana, a situação é crítica. Com o embargo, a empresa já precisou reduzir sua produção e enfrenta dificuldades crescentes para armazenar o petróleo extraído. A impossibilidade de exportar em breve forçaria a companhia a realizar cortes ainda mais drásticos, impactando severamente a economia do país.
Oportunidade para refinarias americanas e desafios de produção
A potencial abertura para o petróleo venezuelano representa uma oportunidade para as refinarias americanas, especialmente aquelas localizadas na Costa do Golfo, que possuem a infraestrutura necessária para processar o petróleo pesado da Venezuela. O presidente dos EUA, Donald Trump, havia mencionado anteriormente a intenção de entregar o setor petrolífero venezuelano a empresas americanas.
Contudo, o aumento da produção venezuelana, mesmo com a possibilidade de exportação para os EUA, enfrenta desafios significativos. Segundo Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, a recuperação da produção exigirá **investimentos elevados que podem levar anos** para se concretizar.
Produção atual e reservas globais
Apesar de a Venezuela deter as **maiores reservas de petróleo do mundo**, sua produção atual é limitada. Atualmente, o país processa cerca de **1 milhão de barris por dia**, um volume consideravelmente inferior ao seu potencial, em grande parte devido aos embargos e à falta de investimento em infraestrutura.
A negociação para desviar o petróleo que seria exportado para a China abre um novo capítulo nas relações econômicas entre os EUA e a Venezuela, com potenciais implicações para o mercado global de petróleo e para a estabilidade política da região.
