Ações de empresas de petróleo dos EUA registram alta expressiva com a possibilidade de maior acesso ao petróleo venezuelano, segundo analistas.
As ações de importantes companhias petrolíferas americanas apresentaram uma **subida notável** nas negociações pré-mercado nesta segunda-feira (5). O movimento é reflexo da percepção dos investidores de que a postura do presidente Donald Trump em relação à Venezuela pode **abrir portas** para um acesso mais amplo das empresas dos EUA às maiores reservas de petróleo do mundo.
A expectativa é de que Washington possa flexibilizar sanções e restrições que atualmente limitam as exportações de petróleo bruto venezuelano. Essa possibilidade tem gerado um **entusiasmo considerável** no mercado de energia, com empresas buscando se posicionar para um futuro cenário de maior liberalização.
O cenário se intensificou após o presidente Trump afirmar a necessidade dos Estados Unidos terem “acesso total” às reservas de petróleo da Venezuela, após a prisão do presidente Nicolás Maduro. Essa declaração reforçou a crença de que o governo americano pode estar mais inclinado a facilitar a entrada de grandes petroleiras no país sul-americano, conforme divulgado em reportagens. A possibilidade de investimentos bilionários e a recuperação da infraestrutura deteriorada do setor são pontos cruciais.
Chevron em Posição de Destaque
As ações da **Chevron**, atualmente a única grande empresa dos EUA com operações diretas em campos petrolíferos venezuelanos, registraram um **avanço expressivo de 7,3%**. A empresa opera sob uma isenção concedida pelo governo americano, o que a coloca em uma **posição privilegiada** caso haja uma mudança significativa na política do país. Essa vantagem operacional pode se traduzir em benefícios diretos para a companhia.
Refinarias Americanas Podem se Beneficiar
Além da Chevron, diversas refinarias americanas também viram suas ações subirem. Papéis de empresas como **Phillips 66, Marathon Petroleum, Valero Energy e PBF Energy** apresentaram altas que variaram entre 5% e 16%. O petróleo venezuelano, classificado como “heavy sour” (pesado e com alto teor de enxofre), é particularmente adequado para o processamento em refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que foram projetadas historicamente para lidar com esse tipo de matéria-prima, segundo análise de Ahmad Assiri, estrategista de pesquisa da Pepperstone.
O Potencial e os Desafios do Petróleo Venezuelano
A Venezuela possui as **maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo**, um recurso que já representou uma parcela significativa da produção global. No entanto, a produção tem sofrido uma queda acentuada ao longo das décadas, caindo de cerca de 3,5 milhões de barris por dia na década de 1970 para uma média de aproximadamente 1,1 milhão de barris diários no ano passado. Essa redução é atribuída a anos de **falta de investimentos, deterioração da infraestrutura e sanções econômicas**.
Apesar do otimismo gerado pelas declarações de Trump, analistas alertam que uma **recuperação substancial da produção venezuelana levará tempo**. A persistente instabilidade política, a infraestrutura em mau estado e anos de subinvestimento continuam sendo obstáculos significativos para uma retomada rápida e robusta do setor petrolífero do país.
