União Europeia espera assinar acordo comercial com Mercosul em breve, apesar de impasses.
A União Europeia está confiante de que o acordo comercial com o Mercosul será assinado em breve. A Comissão Europeia informou que as negociações avançaram significativamente, impulsionando as expectativas para a conclusão do pacto que visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
No entanto, a resistência de países como França e Itália, que demandam maiores proteções para seus setores agrícolas, ainda representa um obstáculo considerável. A porta-voz da União Europeia, Paula Pinho, não confirmou datas específicas para a assinatura, mas reiterou o otimismo europeu.
O acordo, que prevê a redução gradual de tarifas e a harmonização de regras em diversas áreas, como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, enfrenta a oposição de setores que temem a concorrência de produtos sul-americanos.
França e Itália pedem mais salvaguardas para agricultores
O presidente francês, Emmanuel Macron, tem sido um dos principais críticos ao acordo, afirmando que o país não o apoiará sem novas salvaguardas para os agricultores franceses. Macron declarou que as contas “não fecham” e que a França se oporá a qualquer tentativa de forçar a adoção do pacto.
A preocupação francesa reside no receio de concorrência com produtos latino-americanos, que podem ser mais baratos e produzidos sob padrões ambientais distintos dos europeus. A Itália, por sua vez, também manifestou que pode apoiar o acordo, desde que as preocupações de seus agricultores sejam atendidas, segundo a primeira-ministra Giorgia Meloni.
Embora a Bloomberg tenha reportado, com base em fontes diplomáticas italianas, que o país decidiu apoiar o acordo, nada foi formalmente anunciado até o momento. A decisão final depende das negociações e das respostas que a Comissão Europeia poderá oferecer.
Outros países europeus defendem avanço do acordo
Em contrapartida, potências como Alemanha e Espanha defendem o avanço do acordo comercial entre UE e Mercosul. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, argumentam que o tratado pode ajudar a **compensar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos** e **reduzir a dependência da China**, ampliando o acesso a novos mercados e minerais.
A Alemanha, em particular, considera que a União Europeia precisa tomar decisões agora para manter sua credibilidade na política comercial global. Países nórdicos também veem o acordo como estratégico para a economia europeia.
Aprovação depende de consenso e envolve diversos setores
A aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia depende do aval do Conselho Europeu, que exige o apoio da maioria dos países-membros e da maior parte da população europeia. Essa fase é considerada a mais sensível politicamente.
Apesar da resistência concentrada no agronegócio, o acordo abrange uma vasta gama de setores, incluindo indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, o que garante apoio de outros segmentos econômicos dentro do bloco europeu.
Brasil otimista com a conclusão do acordo
O Brasil demonstra otimismo quanto à conclusão do acordo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita que a resistência da Itália é motivada pela pressão de agricultores, mas que o país deve aderir ao tratado. Essa visão brasileira reforça a expectativa de um desfecho positivo para as negociações.
