ONU alerta para riscos globais após captura de Maduro pelos EUA na Venezuela
A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou nesta terça-feira (6) que a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na prisão do presidente Nicolás Maduro, **violou um princípio fundamental do direito internacional**. A ação, que envolveu o uso de força e incursões militares em Caracas, gerou repúdio de diversas nações e levanta sérias preocupações sobre a estabilidade global.
Segundo Ravina Shamdasani, porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, a mensagem enviada pela intervenção norte-americana é preocupante. Ela ressaltou que **”os Estados não devem ameaçar nem usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”**, citando diretamente o Artigo 2º, parágrafo 4º, da Carta da ONU.
Essa declaração representa o posicionamento mais enfático da ONU sobre o incidente, que ocorreu após dias de tensões crescentes. A instituição multilateral, responsável por regular as relações internacionais e o direito internacional, expressou anteriormente “profunda preocupação” e pediu pela desescalada do conflito. A posição da ONU, endossada por muitos especialistas, contrasta com a justificativa dos Estados Unidos, que alegam ter agido em cumprimento da lei e por questões de segurança nacional. Conforme informação divulgada pela ONU, a ação militar dos EUA na Venezuela **danifica a arquitetura da segurança internacional**.
Ação dos EUA e Acusações Contra Maduro
A operação, que teria mobilizado um número significativo de aeronaves e equipes de elite, teve como objetivo capturar Nicolás Maduro, acusado pelos Estados Unidos de **narcoterrorismo**. O presidente venezuelano foi formalmente indiciado em Nova York por quatro crimes, incluindo conspiração para o narcoterrorismo e posse de armas. A Casa Branca defende a ação como uma “operação para o cumprimento da lei”, necessária para apoiar o Departamento de Justiça norte-americano.
Apesar da justificativa dos EUA, que se baseia na Constituição norte-americana e em questões de segurança nacional, a legalidade da operação continua sendo um ponto de discórdia. Especialistas apontam que a violação do direito internacional pode ter implicações duradouras para as relações entre as nações e para a ordem global.
Repúdio Internacional e Críticas à Intervenção
A captura de Maduro foi rapidamente condenada pela comunidade internacional. Países aliados da Venezuela, como a Rússia e a China, foram particularmente contundentes em seu repúdio. Durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, a China descreveu a ação como “bullying”, enquanto a Rússia a classificou como “hipócrita e cínica”.
A porta-voz da ONU, Ravina Shamdasani, reforçou que a intervenção dos EUA torna o mundo **”mais inseguro”**, pois envia a mensagem de que “os poderosos podem fazer o que quiser”. Ela instou a comunidade internacional a insistir que a ação norte-americana constitui uma contravenção do direito internacional.
Reação da Venezuela e Contexto Político
Em resposta à operação, o governo venezuelano ordenou a busca e captura de todos os envolvidos no apoio ao ataque. Nicolás Maduro, após ser levado para os Estados Unidos, declarou-se inocente das acusações em audiência em Nova York. A Venezuela alega que Maduro lidera o “Cartel de los Soles”, um grupo acusado de tráfico de drogas.
No entanto, especialistas contestam a estrutura hierárquica desse cartel, descrevendo-o como uma “rede de redes”. Ainda assim, há indícios de que Maduro possa ser um dos beneficiários de um modelo de “governança criminal híbrida” no país. O governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, assumiu o poder após a deposição de Maduro, com o apoio das Forças Armadas venezuelanas.
Posição dos EUA e Futuras Ações
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o país não está em guerra com a Venezuela e que a presidente interina, Delcy Rodríguez, está cooperando com o governo americano. Trump advertiu, contudo, que uma nova operação militar poderia ser autorizada caso a posição de Rodríguez mude. Os Estados Unidos afirmaram que não realizarão novos ataques, desde que haja colaboração contínua das autoridades venezuelanas.
