Ação dos EUA na Venezuela: Impactos Imediatos no Dólar, Bolsa e Preços Globais de Commodities
O primeiro pregão após a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela foi marcado por movimentos bruscos nos mercados financeiros. O dólar comercial registrou queda significativa, enquanto a Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, apresentou forte valorização, refletindo as incertezas e oportunidades geradas pelo cenário geopolítico.
A intervenção em um país sul-americano, considerada inédita e potencialmente violadora da soberania nacional e do multilateralismo, abriu um leque de especulações sobre seus impactos econômicos a médio e longo prazo. A volatilidade cambial e as oscilações nos ativos financeiros tornaram-se a tônica, com investidores buscando maior segurança.
Historicamente, em momentos de incerteza, agentes econômicos tendem a migrar para ativos considerados seguros, como metais preciosos e moedas de economias fortes. No entanto, a perspectiva de uma maior oferta de petróleo no mercado global, em decorrência de uma possível reabertura da indústria venezuelana ao capital externo, tem influenciado os preços da commodity e o comportamento da Bolsa. Conforme informações divulgadas, a ação militar americana na Venezuela, detentora da maior reserva de petróleo do mundo, tem potencial para impactar os negócios da indústria petrolífera global.
Metais Preciosos e Petróleo em Alta com Incertezas Geopolíticas
A ofensiva americana na Venezuela criou um ambiente favorável ao aumento do prêmio de risco no mercado internacional. Metais como ouro e prata operam em alta, demonstrando a busca por ativos de refúgio. No mercado internacional, o ouro foi negociado com alta da ordem de 2,56%, enquanto a prata subiu 4,89%.
O petróleo, após oscilações iniciais, também demonstrou recuperação. O contrato Brent, por exemplo, subia 1,31%, alcançando US$ 61,03. A expectativa de aumento de produção na Venezuela a médio prazo, com a abertura da indústria petrolífera ao capital externo, visa elevar a exploração e a oferta da commodity, o que pode ajudar a conter a volatilidade inicial gerada pelas incertezas políticas, segundo analistas.
Opep+ e o Impacto na Produção de Petróleo
Um fator adicional que contribui para conter a alta do petróleo, mesmo em um cenário de incerteza geopolítica, foi a decisão da Opep+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados). Eles optaram por manter pausados os incrementos de produção no primeiro trimestre deste ano, o que representa mais da metade da oferta mundial de petróleo.
Do ponto de vista econômico, o controle do setor de petróleo venezuelano pelos Estados Unidos tende a resultar em maior oferta estrutural ao mercado global, menor volatilidade e preços com viés mais baixo no médio prazo, aumentando a previsibilidade e a segurança do fornecimento.
Ações de Petrolíferas em Destaque na Bolsa
As ações das companhias petrolíferas estiveram no foco dos investidores. Na Bolsa de Nova York, as ações da americana Chevron subiam 5,79%, a US$ 164,93, enquanto a Exxon Mobil avançava 2,52%, a US$ 125,74. A Chevron, sendo a única empresa norte-americana operando na Venezuela, tende a ser a mais beneficiada pela situação.
No Brasil, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa B3, fechou a sessão em alta de 0,83%, atingindo 161.869 pontos, após iniciar o pregão com leve variação negativa. A recuperação demonstra a resiliência do mercado brasileiro diante das notícias internacionais e o interesse dos investidores em setores específicos, como o de petróleo.
