Samsung prevê aumento de preços em eletrônicos com escassez global de chips de memória RAM
A escassez de chips de memória RAM no mercado global pode tornar celulares, TVs e outros produtos eletrônicos mais caros. TM Roh, CEO da Samsung, afirmou que o impacto nos preços é “inevitável”.
A falta desses componentes essenciais para o funcionamento dos dispositivos tem elevado os custos de produção. Especialistas já alertavam desde o final de 2023 sobre essa possibilidade, prevendo um cenário de preços mais altos em 2026.
A Samsung, líder mundial na fabricação de TVs, busca estratégias de longo prazo com parceiros para mitigar os efeitos da crise. As informações foram divulgadas em entrevista recente, conforme apurado pelo g1.
O que é memória RAM e por que está em falta?
A memória RAM (Random Access Memory) é um componente crucial que armazena temporariamente os dados em uso por um dispositivo. Ao abrir um aplicativo ou jogo, as informações necessárias ficam na RAM. Esses dados são apagados quando o aparelho é desligado, caracterizando-a como uma memória de curto prazo.
A capacidade da RAM, medida em Gigabytes (GB), influencia diretamente o desempenho do aparelho. Um celular com maior quantidade de RAM, por exemplo, consegue executar mais tarefas simultaneamente com mais fluidez.
Embora associada a smartphones e computadores, a memória RAM é utilizada em diversos outros dispositivos, como smart TVs, tablets, consoles de videogames, relógios inteligentes, aspiradores robôs, carros e impressoras.
Inteligência Artificial e o novo cenário da produção de chips
O avanço da Inteligência Artificial (IA) é um dos principais fatores por trás da atual crise de semicondutores. Fabricantes de chips têm priorizado a produção de componentes mais avançados, essenciais para data centers de IA, o que reduz a oferta de memórias RAM tradicionais.
Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, explicou que os investimentos pesados em chips para IA e grandes centros de dados tornaram a fabricação de memórias mais antigas menos lucrativa. Isso resultou na queda da produção desses modelos e na diminuição dos estoques.
A escassez de chips pode levar a dois efeitos principais: aumento de preços e a venda de produtos com configurações mais simples pelo mesmo valor de antes, segundo especialistas. Um exemplo claro foi a alta de cerca de 146% no preço de uma memória RAM DDR4 de 16 GB, que subiu de R$ 650 para R$ 1.599 em pouco mais de um mês, conforme pesquisa do Zoom.
Impacto no Brasil e projeções para o futuro
No Brasil, o impacto da crise dos chips pode ser ainda mais acentuado devido a fatores como a variação cambial, impostos e custos logísticos, conforme aponta Márcio Andrey Teixeira, professor do IFSP e membro do IEEE.
Mauricio Helfer, diretor da Dell no Brasil, alertou que setores como tecnologia e automotivo podem sentir os efeitos da crise, especialmente a partir de 2026. Ele destacou que, diferente de crises passadas ligadas a problemas pontuais de produção, o cenário atual é moldado pela demanda crescente por IA.
A previsão é de que a crise se estenda por alguns anos. A SK Hynix, fabricante sul-coreana de chips, indicou que a escassez de memória pode durar até o final de 2027. O mercado de eletrônicos e o setor de data centers devem continuar atentos às movimentações e à evolução da produção de semicondutores nos próximos anos.
