A onda de demissões no Brasil: entenda por que tantos brasileiros querem mudar de emprego em 2026
Você tem pensado em pedir demissão? Se a resposta for sim, saiba que não está sozinho nessa jornada. Uma pesquisa recente revela que uma parcela significativa de profissionais brasileiros planeja deixar seus empregos nos próximos anos, impulsionados por um mercado de trabalho mais favorável.
A confiança em encontrar novas oportunidades, aliada à queda nas taxas de desemprego, tem encorajado muitos a buscar salários mais altos, maior flexibilidade e, principalmente, caminhos claros para o crescimento na carreira. Essa busca por renovação profissional é um reflexo direto de um cenário econômico que se mostra mais promissor.
Os dados da pesquisa da Robert Half, divulgada nesta segunda-feira (5), apontam que 61% dos profissionais têm planos de procurar um novo emprego em 2026. Esses números explicam, em parte, o aumento da rotatividade no mercado formal e o elevado número de pedidos de demissão no país. Conforme informação divulgada pela Robert Half, 61% dos profissionais planejam procurar um novo emprego em 2026.
Motivos para a Troca: Salário, Crescimento e Novos Desafios no Radar
A busca por **melhores oportunidades de crescimento** lidera o ranking de motivos para a mudança, com 45% dos profissionais almejando essa progressão. A **maior remuneração** aparece em seguida, sendo um fator decisivo para 42% dos entrevistados, demonstrando a importância do aspecto financeiro na decisão de sair do emprego atual.
Novos desafios profissionais também são um forte atrativo, citados por 31% dos que pretendem mudar. A mesma porcentagem busca por **flexibilidade no modelo de trabalho**, seja remoto ou híbrido, evidenciando a valorização do equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Um pacote de benefícios mais atrativo também pesa na balança para 29% dos profissionais.
Para o economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, o peso do salário e das promoções é esperado. “Salário é reflexo de produtividade. Quem ganha menos tende a se sentir mais insatisfeito e a buscar alternativas”, afirma ele. A pesquisa indica que, entre os que desejam mudar de empresa, 72% pretendem permanecer na mesma área, enquanto 28% consideram uma transição de carreira.
Jovens Lideram a Rotatividade: Busca por Novas Oportunidades e Flexibilidade
O fator idade se mostra determinante na dinâmica do mercado de trabalho. Jovens entre 18 e 24 anos permanecem, em média, apenas 12 meses no mesmo emprego, com uma taxa de rotatividade de 96,2% em 2024. Essa faixa etária está em fase de experimentação e menos apegada à estabilidade.
Entre os jovens, as demissões voluntárias estão ligadas principalmente à busca por novas oportunidades, à falta de reconhecimento e a questões éticas. Estresse, problemas de saúde mental e pouca flexibilidade no trabalho também são fatores relevantes para essa decisão, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Para aqueles que consideram uma transição de carreira, o fator financeiro se torna ainda mais proeminente, com 63% buscando maior remuneração. Qualidade de vida (39%), realização pessoal (29%) e a vontade de aprender algo novo (27%) também são fortes impulsionadores.
O Que Mantém o Profissional na Empresa: Benefícios e Equilíbrio em Destaque
Apesar da alta intenção de mudança, a pesquisa da Robert Half também revela o que faz um profissional permanecer em seu cargo atual. Benefícios e remuneração atraentes são citados por 52% como o principal fator de retenção.
A flexibilidade no modelo de trabalho aparece em segundo lugar, com 46%, seguida pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional, valorizado por 33% dos entrevistados. Um ambiente e cultura organizacional positivos também são importantes para 31% dos profissionais.
Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half na América do Sul, reforça o papel das empresas na retenção de talentos. “Se a empresa quer atrair e manter bons profissionais, salário e benefícios continuam sendo o principal instrumento”, aponta Mantovani. Ele alerta para um descasamento entre o que o trabalhador deseja e o que o empregador oferece.
Planejamento é Essencial para Quem Pensa em Mudar de Carreira
Para quem está considerando pedir demissão ou realizar uma transição de carreira, a recomendação é de cautela e planejamento. O economista Bruno Imaizumi sugere tratar a recolocação como um projeto, organizando o currículo e utilizando ferramentas digitais para ampliar a rede de contatos.
Avaliar oportunidades fora da região de moradia também pode ser um passo importante, pois vagas em outros estados ou cidades podem surgir, mas exigem um planejamento cuidadoso de mudanças. A busca por novas oportunidades, seja na mesma área ou em uma transição, é um movimento cada vez mais comum no mercado de trabalho brasileiro.
