Inflação 2025: Meta Alcançada? Veja o Que Mais Subiu e Caiu no Bolso do Brasileiro
O ano de 2025 surpreendeu as projeções econômicas, com a **inflação oficial do Brasil se encaminhando para ficar dentro da meta** estabelecida pelo Banco Central. Inicialmente, o cenário era de pessimismo, com expectativas de um índice bem acima do esperado, mas diversos fatores contribuíram para uma trajetória de desaceleração.
Levantamentos feitos a pedido do g1 revelam que, apesar da melhora geral, alguns setores continuam pesando no orçamento. Enquanto alimentos e bens duráveis apresentaram quedas significativas, o custo de serviços livre e preços monitorados impulsionaram a inflação acumulada até novembro.
A trajetória da inflação em 2025 contrariou as previsões mais pessimistas feitas no final de 2024. Na época, receava-se que o Banco Central não conseguiria conter a alta dos preços, influenciada pela valorização do dólar, impactos climáticos e um ritmo forte da atividade econômica. Conforme informação divulgada pelo g1, o primeiro Boletim Focus de 2025 estimava inflação próxima de 4,99% e taxa de câmbio em R$ 6.
Quedas Notáveis Ajudam a Conter a Inflação
Um dos principais vetores da redução na projeção de inflação foi o grupo de **alimentação no domicílio**. Este subgrupo, que começou o ano com expectativa de alta de 5,8%, chegou a ter previsões de avanço de 7% no meio do ano. Agora, a estimativa é que esses preços fechem 2025 com uma alta de apenas 2,3%. Isso se deve, em grande parte, a boas safras que vieram melhor do que o esperado e à não concretização de eventos climáticos que poderiam afetar as plantações.
A maior oferta de proteínas, inclusive com um aumento temporário da oferta doméstica devido à gripe aviária, também contribuiu para a queda nos preços dos alimentos. Além disso, a **valorização do real frente ao dólar**, as políticas comerciais dos EUA e o nível de juros no Brasil foram fatores importantes para segurar a inflação. Um levantamento do FGV Ibre, a pedido do g1, mostra que metade dos 10 itens que mais ajudaram a conter a inflação pertencem ao grupo de alimentos, com destaque para **laranja-pera (-27,21%)**, **batata-inglesa (-26,57%)** e **arroz (-24,24%)**.
Outro setor que registrou recuo significativo foi o de **bens duráveis**, que inclui eletrodomésticos, móveis e eletrônicos. Este segmento, que reage rapidamente ao aumento dos juros, teve uma queda média de 3,5% no período. Juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a demanda por bens de maior valor e incentivam as empresas a concederem descontos para movimentar estoques.
Serviços Livres e Preços Monitorados Pressionam o Orçamento
Apesar das quedas em alimentos e bens duráveis, os **serviços livres e os preços monitorados foram os principais responsáveis pela inflação acumulada até novembro**. Especialistas apontam que o comportamento do mercado de trabalho ao longo do ano explica esse movimento. A taxa de desemprego fechou em 5,2% no trimestre encerrado em novembro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.
Seis dos 10 itens que tiveram contribuição positiva na inflação são de serviços livres. Entre eles, destacam-se **aluguel residencial**, **refeição**, **lanche**, **ensino fundamental**, **empregado doméstico** e **condomínio**. Juntos, esses itens representam 15,8% do orçamento doméstico e registraram uma inflação média de 6,2% entre janeiro e novembro de 2025, um índice acima da meta de 3% estabelecida pelo Banco Central.
Um caso particular de aumento expressivo é o do **café**, que subiu 43,27% no ano até novembro. Segundo o coordenador dos índices de preços do Ibre da FGV, André Braz, esse aumento é resultado de um choque de oferta ligado à safra, clima e câmbio, e não às condições de crédito domésticas. A expectativa é que a inflação brasileira encerre o ano dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, de 4,50%, representando uma desaceleração em comparação aos 4,83% de 2024.
Percepção de Preços Altos Persiste Apesar da Desaceleração
Mesmo com a desaceleração nos preços, muitos brasileiros ainda sentem o impacto no orçamento. Especialistas atribuem essa percepção ao **forte aumento nos preços dos alimentos nos últimos anos**. O preço da alimentação em domicílio de 2020 até agora acumula uma variação muito maior do que a da inflação média. Como os salários são corrigidos pelo IPCA, isso reduziu significativamente o poder de compra das famílias.
Para 2026, um ano eleitoral, há expectativas de medidas de transferência de renda ou injeção de recursos na economia, o que pode gerar pressão sobre os preços. No entanto, outros fatores também influenciarão a inflação, como o clima, o desempenho das safras, o câmbio, os juros e a evolução do mercado de trabalho. As expectativas atuais são positivas, com agentes acreditando no compromisso do Banco Central com a meta de inflação, mas desafios como o cenário político e as condições climáticas exigem atenção.
Especialistas reforçam a necessidade de monitorar o mercado de trabalho aquecido e o câmbio. Contudo, há perspectiva de melhora nos preços administrados e na inflação de alimentos, dependendo das condições climáticas. A curva do petróleo indica espaço para reajustes no próximo ano, e IGP-M e IPCA mais baixos podem ajudar a mitigar eventuais aumentos na conta de energia, conforme aponta o economista Fábio Romão.
