Venezuela: O Dilema do Petróleo com Reservas Recordes e Infraestrutura em Queda
A Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, estimada em cerca de 303 bilhões de barris, superando países como Arábia Saudita e Irã. Essa vasta riqueza natural, no entanto, encontra-se subaproveitada devido a uma infraestrutura precária e o peso das sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital.
A produção de petróleo venezuelana sofreu um declínio drástico nas últimas décadas, caindo de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para menos de um milhão em anos recentes. Apesar de uma leve recuperação em 2023, o volume atual representa menos de 1% da produção global, evidenciando a fragilidade do setor energético do país.
O petróleo moldou a economia venezuelana, mas a dependência excessiva e a má gestão levaram a uma crise profunda. A recente declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a abertura do setor petrolífero a companhias norte-americanas, amplia o debate sobre os interesses energéticos e geopolíticos envolvidos na região, conforme detalhado por fontes como o g1.
A Riqueza Subaproveitada: Reservas vs. Produção
A Venezuela possui um potencial petrolífero colossal, com cerca de 17% das reservas mundiais conhecidas, um volume quase quatro vezes maior que o dos Estados Unidos. No entanto, a maior parte desse petróleo é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos substanciais para sua extração. Esse cenário, aliado à infraestrutura deteriorada, impede que o país capitalize plenamente sobre suas reservas.
A produção, que já foi de 3,7 milhões de barris por dia nos anos 70, despencou para 665 mil barris diários em 2021, segundo a Statistical Review of World Energy. Embora tenha havido uma recuperação para cerca de 1 milhão de barris por dia em 2023, essa cifra ainda é modesta em comparação com o potencial do país e com a produção global.
Histórico e Impacto Econômico da Indústria Petrolífera
O setor petrolífero é o pilar histórico da economia venezuelana. Após a nacionalização em 1976 e a criação da PDVSA, o petróleo financiou programas sociais nas décadas seguintes, mas com o custo de investimentos reduzidos em outras áreas. Essa dependência se refletiu em exportações, onde mais de 90% das receitas vieram do petróleo entre 1998 e 2019.
A queda na produção e as sanções internacionais agravaram a crise econômica, levando a uma inflação galopante. Em 2019, os preços subiram 344.510%, um reflexo direto da instabilidade econômica impulsionada pela crise petrolífera. A PDVSA, antes fonte de dólares para o país, passou a sofrer cortes orçamentários, interrompendo manutenções e investimentos cruciais.
O Papel dos Estados Unidos e o Intercâmbio Geopolítico
Os Estados Unidos mantêm uma relação antiga com o petróleo venezuelano, sendo um dos principais compradores antes do endurecimento das sanções em 2019. Atualmente, a Chevron é a única empresa americana operando no país, com autorização especial de Washington. A estratégia americana, que antes se justificava pelo combate ao narcotrágico, agora revela claros interesses energéticos.
O petróleo venezuelano é de interesse estratégico para os EUA por sua compatibilidade com as refinarias americanas, visando, inclusive, a redução dos preços dos combustíveis no mercado interno. Com as sanções, a Venezuela redirecionou suas exportações para a China, em acordos de petróleo por empréstimos, intensificando a disputa geopolítica na região.
Desafios Atuais e Perspectivas Futuras
A despeito das dificuldades, a PDVSA continua a ser crucial para a economia venezuelana. Em 2024, a empresa faturou cerca de US$ 17,5 bilhões com exportações, com uma produção média ligeiramente acima de 800 mil barris por dia. O setor de hidrocarbonetos impulsionou o crescimento econômico do país, com o PIB avançando 7,71% no primeiro semestre de 2025, impulsionado em quase 15% pela atividade petrolífera.
Contudo, essa dependência gera vulnerabilidade. Estima-se que as sanções lideradas pelos EUA tenham causado perdas de cerca de US$ 226 bilhões em receitas petrolíferas entre 2017 e 2024, um valor superior ao PIB atual do país. A Venezuela, apesar de sua vasta riqueza natural, permanece entre as menores economias da América Latina, com seu futuro intrinsecamente ligado ao petróleo e às complexas tensões geopolíticas globais.
