Venezuela enfrenta colapso na produção de petróleo devido a bloqueio dos EUA e falta de insumos essenciais
A estatal petrolífera venezuelana PDVSA iniciou um processo de redução em sua produção de petróleo bruto. Essa medida drástica surge como consequência direta da impossibilidade de exportar o produto, esgotando completamente sua capacidade de armazenamento.
O cenário é agravado pela falta de diluentes, substâncias essenciais para processar e transportar o pesado petróleo venezuelano. A paralisação das exportações, imposta pelos Estados Unidos, intensifica a pressão sobre o governo e a economia do país, que depende fortemente da receita do petróleo.
A crise política na Venezuela, intensificada pela captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa por forças americanas, adiciona mais um elemento de instabilidade ao setor petrolífero. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters.
Impacto direto das sanções americanas na produção e exportação
As exportações de petróleo da Venezuela, país membro da Opep e cuja economia é majoritariamente dependente desse setor, estão completamente paralisadas. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio a navios-tanque, sob alegação de sanções, e apreenderam carregamentos no mês passado. Inicialmente, cargas da petrolífera americana Chevron, com licença para operar, eram uma exceção, mas desde quinta-feira (4), essas operações também foram interrompidas, segundo dados divulgados no domingo (4).
O presidente Donald Trump declarou que o “embargo ao petróleo” contra a Venezuela estava em pleno vigor após a detenção de Maduro, indicando que os EUA passariam a “administrar” o país interinamente. Contudo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ponderou que os EUA se limitarão a reforçar a “quarentena do petróleo” como ferramenta de pressão para mudanças políticas.
PDVSA ordena cortes de produção e enfrenta escassez de diluentes
A PDVSA solicitou cortes de produção em diversas joint ventures, incluindo a Petrolera Sinovensa (CNPC), Petropiar (Chevron), Petroboscan e Petromonagas. A falta de diluentes, necessários para tornar o petróleo pesado venezuelano transportável, é um fator crítico. A Sinovensa, por exemplo, se preparava para desligar até dez conjuntos de poços devido ao excesso de petróleo extrapesado e à escassez de diluentes, conforme informações da Reuters. Estes poços, no entanto, podem ser religados rapidamente no futuro.
Parte da produção da Sinovensa era destinada à China como pagamento de dívidas, mas navios chineses que se dirigiam à Venezuela para carregar petróleo interromperam a navegação no fim de dezembro, segundo dados da LSEG. Na Petromonagas, a redução da produção já começou, aguardando a retomada do fornecimento de diluentes por oleodutos. A Chevron, por sua vez, ainda possui alguma margem de armazenamento, mas suas embarcações estão retidas desde quinta-feira, e a capacidade limitada na Petroboscan pode forçar cortes em breve.
Venezuela, um gigante com potencial subaproveitado no setor petrolífero
A Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, estimada em cerca de 303 bilhões de barris, superando países como Arábia Saudita e Irã. No entanto, a maior parte desse petróleo é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e altos investimentos para extração e processamento. A infraestrutura precária e as sanções internacionais têm limitado o aproveitamento desse potencial.
A produção de petróleo venezuelana sofreu um declínio acentuado nas últimas décadas. De um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970, a produção caiu para 665 mil barris por dia em 2021. Embora tenha havido uma leve recuperação para cerca de 1 milhão de barris por dia no ano passado, esse volume representa menos de 1% da produção global.
A economia venezuelana, moldada pelo petróleo desde o século 20, viu a indústria ser nacionalizada em 1976 com a criação da PDVSA. A forte dependência do petróleo, com mais de 90% das exportações vindas do setor entre 1998 e 2019, tornou o país extremamente vulnerável às flutuações de preço e às sanções internacionais. A queda nas receitas do petróleo contribuiu significativamente para uma inflação galopante, com preços subindo mais de 344.510% em 2019, segundo o Banco Central.
