Indicadores sociais avançam, mas Brasil está longe do ideal, diz economista
Em 2024, o Brasil celebra marcos importantes na redução da desigualdade e da pobreza, além de atingir a maior renda média da série histórica iniciada em 1995. Estes dados, provenientes de uma pesquisa conjunta do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) com informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontam para uma trajetória positiva.
No entanto, apesar dos avanços notáveis, especialistas da área econômica e social ressaltam que o país ainda se encontra distante de atingir um patamar ideal em seus indicadores sociais. A jornada rumo a uma sociedade mais equitativa e com melhor qualidade de vida para todos os cidadãos ainda exige esforços contínuos e políticas públicas eficazes.
A melhora observada nos indicadores sociais, segundo o Ipea, deve-se em grande parte ao aquecimento do mercado de trabalho e à consolidação de programas sociais, com destaque para o Bolsa Família. Esses fatores foram cruciais para impulsionar os resultados positivos, que se concentraram em dois períodos distintos: entre 2003 e 2014, e mais recentemente, de 2021 a 2024, período pós-pandemia.
Mercado de Trabalho e Programas Sociais como Motores da Mudança
O ano de 2024 registrou a menor taxa média de desemprego na série histórica, atingindo 6,4%. Este cenário otimista no mercado de trabalho contribuiu diretamente para o aumento da renda e a diminuição da pobreza. O aquecimento econômico, aliado à continuidade e fortalecimento de programas sociais, como o Bolsa Família, criaram um ambiente mais favorável para a população.
O Ipea destaca que a recuperação após a pandemia da Covid-19 foi particularmente importante. Entre 2021 e 2024, houve uma retomada significativa, revertendo parte das perdas observadas em anos anteriores. Esse período mostrou a resiliência da economia brasileira e a importância das políticas de proteção social.
Renda Média Domiciliar Per Capita Atinge Novo Patamar Histórico
A renda média domiciliar per capita apresentou um crescimento expressivo de cerca de 70% desde 1995. Em 2024, este indicador alcançou a marca de R$ 2.015, representando a média mensal recebida por todas as pessoas em um domicílio, já corrigida pela inflação. Este aumento reflete um ganho real considerável para as famílias brasileiras.
A análise dos dados do Ipea e IBGE demonstra que a trajetória de melhora na renda média é um reflexo direto do desempenho do mercado de trabalho e da eficácia das políticas de transferência de renda. A concentração desses avanços em períodos específicos, no entanto, também aponta para a necessidade de políticas de longo prazo que garantam estabilidade e crescimento sustentável.
Desafios e a Luta Contínua Contra a Desigualdade
Apesar dos avanços históricos, o Ipea e outros especialistas alertam que o Brasil ainda enfrenta uma longa jornada para alcançar um nível de igualdade e bem-estar social considerado ideal. Períodos de crise econômica, como o observado entre 2014 e 2021, e eventos globais como a pandemia, demonstraram a fragilidade de alguns ganhos e a necessidade de fortalecimento contínuo das redes de proteção social.
A persistência de desigualdades regionais, de acesso a serviços básicos e de oportunidades educacionais e de trabalho são pontos que demandam atenção constante. A pesquisa do Ipea, ao mesmo tempo que celebra os avanços, serve como um lembrete de que a construção de uma sociedade mais justa e equitativa é um processo contínuo e multifacetado.
